CEM E OS RISCOS PARA A SAÚDE

Atualmente considera-se que existem dois tipos de radiações eletromagnéticas, a radiação ionizante (RI) e a radiação não ionizante (RNI). A radiação ionizante inclui os raios gama, raios X, iões pesados, raios UV, entre outros. Como estas radiações têm elevada frequência e baixo comprimento de onda pentram muito facilmente nos tecidos podendo levar à quebra de ligações moleculares e por consequência á destruição do ADN.

Quando a potência de radiação, o tempo de exposição e a região incidente são controlados, dado que existem zonas mais sensíveis do que outras, as RI podem ter efeitos benéficos, como acontece na área da medicina, porém quando são usadas para outros fins irão provocar imensos estragos a nível da saúde.

Ao contrário da RI, os CEM são demasiado fracos para quebrar ligações moleculares logo os CEM são considerados RNI. Geralmente as fontes comuns da RNI não têm energia suficiente para provocar danos nos tecidos humanos mas existe o receio que estas radiações possam provacar danos na saúde porém a tecnologia não é assim tão recente para que se possa concluir algo sobre efeitos a longo prazo.

Fig. 1

(espetro da RI e RNI)

Podemos, também, dividir os campos eletromagnéticos (CEM) em campos elétricos e magnéticos estáticos e de baixa frequência (linhas de transporte da eletricidade, eletrodomésticos, etc...) e de alta frequência ( linhas emissoras de rádio, televisão, telemovél, etc). 

No nosso dia-a-dia estamos expostos a CEM criados por todos os tipos de aparelhos, eletrodomésticos, carros, computadores, telemovéis, e muitos mais. Todos estes CEM são considerados de baixa frequência ( cerca de 50 Hz), podendo neste caso serem separados em campos elétricos e campos magnéticos dado que não há uma emissão notória de ondas eletromagnéticas.

Fig.2

As alta-frequências, também designadas por radiofrequências, são caracterizadas pela OMS ( Organização Mundial da Saúde) como sendo de baixa e alta intensidade. No geral as radiofrequências penetram uma pequena distância nos tecidos corporais, posteriormente a energia desse campo é absorvida o que faz com que as moléculas comecem a oscilar adquirindo, deste modo,  energia cinética o que conduz ao aumento da temperatura. É este efeito que é utilizado para o aquecimento de comida em microondas ou na produção de plásticos.  Os níveis de radiofrequências aos quais estamos expostos diariamente não são suficientes para causar um aquecimento significativo, logo não há motivo de alarme. Porém, quando sujeitos a uma elevada taxa de REM ( radiações eletromagnéticas)  o aumento da temperatura vai ser de tal forma elevado que o corpo não vai conseguir responder a este aumento e será isto que poderá levar a consequências graves para a saúde ainda que não haja estudos que o comprovem. Os efeitos da exposição externa do corpo humano e das suas células aos CEM dependem principalmente da sua frequência e intensidade.

É importante referir ainda que é o campo magnético que poderá levar a lesões internas dado que é este que cria um fluxo de correntes que circula ao longo de todo o nosso corpo, já que o campo elétrico não prefura os tecidos corporais, mas cria, á volta do corpo, uma carga elétrica.

Segundo uma publicação da OMS, nos últimos tempos têm-se realizado vários estudos que verificam se, de facto, existe uma relação entre as radiofrequências e o cancro. Estes estudos não comprovaram se a exposição às RF ( radiofrequências) aumenta o risco de cancro. Também experiências realizadas com animais não comprovaram a existência dessa relação e de efeitos adversos mesmo quando expostos a níveis muito intensos de RF.

 Em 2001, um grupo de trabalho constituído pela IARC da OMS reveu estudos relacionados com a carcinogenicidade de campos elétricos e magnéticos estáticos e de frequências extremamente baixas (ELF). Usando a classificação padrão da IARC campos magnéticos ELF foram classificados como possivelmente cancerígenos para os humano com base em estudos epidemiológicos de leucemia infantil.

Segundo um artigo do jornal O Expresso ( https://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-10-O-Wi-Fi-e-um-risco-para-a-saude-das-criancas-- ) a perceção que as pessoas têm da intensidade dos campos e dos seus efeitos nocivos é muito distinta daquilo que realmente se verifica (Fig. 3).

Fig. 3

Para concluir, os valores obtidos nas medições realizadas pelo grupo permitiram-nos concluir que as radiações dos aparelhos eram de baixa frequência e que, como estão dentro dos limites de saúde ( para o campo magnético a 50 Hz é 100 microteslas) não deverão causar efeitos adversos para a saúde.

Para confirmar a informação anteriormente mencionada, o grupo encontrou um vídeo do site da Mobile Lab: